Homilia no Domingo de São João Clímaco (Mat., IV, V, 25-12).
Na quarta semana da Quaresma após a veneração da Santa e Vivificante Cruz a Santa Igreja Ortodoxa instituiu a memória de São João Clímaco, que descreveu a Escada Espiritual. Mas por que trazemos à memória precisamente São João Clímaco e não outro santo? Para que tenhamos diante dos olhos, no decorrer do Jejum e de nossas orações, o exemplo vivo de um homem que atingiu a perfeição espiritual, grande mestre, e não nos esqueçamos da necessidade de que cada cristão estude o seu inspirado livro "A Escada Espiritual", no qual ele retratou todas as virtudes cristãs no gradualismo em que devem ser afirmadas no homem, para levá-lo à união com Deus e para assim nos obrigar à auto-correção.
Com o mesmo objetivo, para destruir em nós o sentimento negativo da auto-compaixão, a Santa Igreja celebra no quinto domingo a memória de Santa Maria Egipcíaca que, apesar de sua longa vida pecaminosa, alcançou a perfeição espiritual através de uma zelosa auto-correção. Ao lembrar esses heróis da piedade, todas as nossas dúvidas sobre a possibilidade de chegarmos à perfeição cristã com nossas imperfeições e débeis forças devem, necessariamente dar lugar à prova evidente de que mediante a fé sincera na Palavra de Deus e nosso desejo, é possível fazer-nos puros de corpo, coração e mente, e até mesmo justos e santos. "Se podes…? Tudo é possível àquele que crê”" (Marcos 9, 23), disse nosso Senhor Jesus Cristo ao infeliz pai que pediu a cura de seu filho endemoniado, como foi lido hoje no Santo Evangelho.
A vida de São João Clímaco é pouco conhecida. Como eleito de Deus, desde a tenra idade ele amava o Senhor, mas nenhum de seus discípulos fez qualquer referência sobre quem eram seus pais, onde ele nasceu e cresceu. De acordo com eles, são João foi um homem famoso por seus dons, habilidades e educação. Aos dezesseis anos de idade ele deixou o mundo e retirou-se para um mosteiro no Monte Sinai, para viver sob a orientação de experientes e inspirados mestres. Em sua biografia diz-se que ele era milenário por sua mente e no Sinai alcançou tal perfeição que tinha a alma como que isenta de raciocínios e vontade própria, totalmente livre e iluminada de celestial simplicidade. Com a morte de seu mestre, buscando maiores virtudes heróicas, São João decidiu impor-se um voto de silêncio, para o que escolheu não muito longe do Templo do Senhor um lugar adequado, onde passou 40 anos. O jejum e a oração elevaram-no a um alto grau de pureza e o fizeram vaso de dons especiais de Deus — clarividência, ousadia na oração e milagres. Quando o mosteiro do Sinai teve de eleger um abade, os irmãos em unanimidade imploraram a São João que retornasse. Durante a sua atividade como abade, ele escreveu seu livro "Escada espiritual ", no qual descreveu todo o caminho para a perfeição cristã e como é preciso gradualmente aperfeiçoar-se para a nossa salvação.
Amados, talvez alguns pensem que São João Clímaco escreveu a "escada" exclusivamente para os monges, não para os leigos seculares, porque não há nada em comum entre a sua vida, isto é, de pais e mães de família e jovens seculares e a vida de monges, enclausurados e eremitas, com voto de silêncio? Precisamente por isto "a escada" não é lida por ninguém no mundo secular e ninguém se guia por ela.
Infelizmente, muitos cristãos pensam desta forma! Mas, amados, será que a Santa Igreja instituiu a memória de São João Clímaco neste dia, somente para os monges e não para todos os cristãos ortodoxos? Será que os decretos da Igreja podem ser infundados ou sujeitos ao erro?
Muito embora entre a vida secular e a monástica haja pouco em comum, todos os cristãos devem subir por uma escada espiritual para a casa do Pai Celeste e nas mesmas condições. Todos nós somos diferentes pela aparência exterior, pela vocação, posição, vestimentas, mas a Justiça Divina exige que todos os que entrem no Reino do céu, morada dos justos e santos, assemelhem-se uns aos outros por suas qualidades interiores, pelas virtudes, pureza de alma e justiça. Portanto, para todos os cristãos o objetivo da vida é um só: alcançar a salvação e para tanto, aperfeiçoar-se espiritualmente.
Do monge se exige: renúncia ao mundo, obediência ou vida não segundo à própria vontade e silêncio, ou o desejo de ser em seu coração unido a Deus. Mas não se exige o mesmo de uma pessoa secular? Vejamos, para que alguém se isola em um mosteiro ou no deserto? Para evitar as tentações, para que seja mais fácil cuidar de si, para lutar contra as paixões, para permanecer na oração e aprender a viver uma vida simple e austera. Mas e as pessoas seculares não são obrigadas a organizar suas vidas para que possam evitar as tentações, comunidades perigosas, espetáculos imorais, conversas vazias, para que possam frequentar a igreja, cumprir as regras de oração, lutar contra suas paixões? Também o cristão secular, para sua salvação, deve renunciar ao mundo pervertido, que sucumbe no orgulho, no amor-próprio, ganância e esquecimento da lei de Deus. E quem abandona a vida de pecado e luta contra suas paixões faz o mesmo que o monge, ao se afastar do mundo e entrar para o mosteiro.
Por que os monges-devotos buscam alcançar a perfeita obediência e para isto se submetem à vontade dos superiores, mestres anciãos e diretores? Porque caso contrário, não se pode aprender a obedecer os mandamentos de Deus. Mas a obediência e o cumprimento dos mandamentos de Deus não são igualmente obrigatórios para os láicos? Para aprender isso, as pessoas seculares devem ser dóceis a seus diretores espirituais - os padres.
Finalmente, devem os seculares se obrigar ao silêncio? Claro que não, responderão muitos. Mas eu não estou falando do silêncio exterior, já que os monges trabalham no mosteiro, desempenham diversas obrigações, servem e ajudam as pessoas seculares e, portanto, não fazem silêncio. Há outro silêncio, que é necessáriotanto ao homem secular como ao monge: É o silêncio interior, ou seja, o desejo de estar em seu coração a só com Deus. Assim o homem mergulha em si mesmo, examina seus pensamentos e ações, permanece em oração contínua e na plena consciência de Deus. Na palavra do Apóstolo, devemos ver constantemente, com os olhos do coração, a Cristo Salvador, isto é, em toda parte: Em casa, na rua, na cama, durante o trabalho e o descanso, e aprender com Ele a humildade, o amor, a paciência e a obediência. Quem vive assim, vive no silêncio interior e no deserto, embora esteja no mundo (segundo o bispo Theofan (Govorov)).
Desta forma, meus amados, cada um de nós não só pode, como deve tornar-se um imitador de Saão João Clímaco e estudar o seu inspirado livro "Escada espiritual". É necessário para a nossa salvação, razão por que a Santa Igreja nos recorda isto hoje. Basta desejar se esforçar, porque tudo é possível àquele que crê! Amém!
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Homilia na Semana de Zaqueu (Lucas 19, 1 – 10)
E tao importante o lugar da Quaresma na nossa vida, que a Igreja em mais de um mes comeca a nos conduzir a ela. Dentre os afazeres habituais devemos nos acostumar ao pensamento que nao a evitaremos. Temos que nos preparar de antemao para isso, como para uma reza principal, da qual depende tudo, o que acontecera conosco aqui e na eternidade, como para uma prova decisiva do nosso coracao, que nao sera facil para superar, como para a morte, com que vamos morrer nestes dias, nos comungando a morte de Cristo, como para a nossa ressurreicao, que nos sera dada na Noite de Pascoa pela Sua Ressurreicao.
O caminho para a Quaresma comeca hoje, quando ouvimos de novo no fundo da missa esta breve e emocionante historia sobre Zaqueu. De novo Criste ia passando a cidade, de novo ia correndo pela rua este homem de pequena estatura, ultrapassando a multidao, porque nao conseguiaa ver nada por causa das costas e cabecas alheias, e, para a admiracao dos outros subiu a uma arvore. Ele calculou bem precisamente, que mesmo aqui ia passar o famoso Mestre e ele poderia bem ve-Lo de cima. O que entao passou com o Zaqueu? Ele foi capaz de ser uma pessoa tal pessoa estranha, imbecil, ou poeta algum, ou estava se queimando da curiosidade, sendo um menino? Nunca se notara nele nada disso, nunca tivera ele nada de romantico ou elevado, ao contrario, ele era uma pessoa bem terrestre. Sempre muito pratico. Ser chefe dos publicanos dos ocupantes romanos, ser desprezado por todos um rico extortor e subordinar a si os funcionarios astutos – tudo isso exigia um grande autoritarismo e inteligencia, uma habilidade de servir aos estrangeiros, mesmo para nao ser demitido e substituido como chefe por algum outro. Para que, entao, ele precisava ver Cristo, o que lhe faltava na vida? Tinha tudo na vida: poder e dinheiro, saude e, provavelmente, mulher, filhos... Mas faltava algo principal, de que anunciava o novo Mestre, e sem que nao tinha sossego na alma. E, pois,, precisava ver Cristo com os proprios olhos, e nao nao com olhos de outrem. Nao era uma tal pessoa a quem bastava o relato.
Raciocinando sobre Zaqueu, lembro-me de um simples homem, que conseguiu fazer uma grande carreira nos anos sovieticos, que perguntado se ele cresse em Deus, respondeu: “Crer, nao creio, mas tenho medo de algo”. E quando o seu interlocutor estava o convencendo em que existia a vida depois da morte, ele disse: “Concordaria com quaisquer sofrimentos infinitos do infermo, mas que a vida nao acabar”. Pode ser que o Zaqueu proprio nao reparou que subiu a arvore, ou seja subiu voando? Pode ser que houve alguma forca a levanta-lo, o seu Anjo da Guarda? Ele viu Cristo e ganhou confianla. Cristo o chamou de nome, porque Ele conhece todos nos. O nome contem aquilo unico e impar, que exisste em casa pessoa, aquilo secreto, que lhe e dado pelo Deus. O Deus chamou o homem de nome, como que tivesse chamado a alma dele, o nomeou e disse: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convem pousar em tua casa”.
Vi este arvore de grande s raizes, que abriu largamente os seus ramos em Jerico e subi a ela. Muitos, no nosso grupo de peregrinacao, o fizeram, como que desejando tocar o milagre de forma mais sensivel. E pode ser que isso era a arvore que cresceu daquela arvore? Nao importa. Como aconteceu comigo, como Ele me chamou e entrou na minha vida? Como aconteceu convosco, de modo diferente do meu? Mas, finalmente, cada um teve a mesma coisa, que tivera Zaqueu, - Ele veio, e nos O acolhemos, nao nos lembrando de alegria: se realmente e possivel? E uma historia que aconteceu comigo e com os outros que O conhecem. Se cada um de nos pudesse relatar, como se abriu a crenca Nele, ficariamos admirados infinitamente com a riqueza da clemencia de Deus e diversidade da emocoes. Nenhum de nos nunca poderia explicar nem a si proprio, nem aos outros, porque isso acontecera com ele, sendo ele pecador, maior pecador que os outros. Isso e bem evidente, e visto do lado, como no caso de Zaqueu,, quando a visita a ele por Cristo ate chegou a causar descontentemento de todos, porque Ele entrou para a casa do homem pecador, sendo que Cristo nao tivesse chegado ao mundo, para cobrar e salvar o perecido!
Que coisa assombrosa! Os fariseus, que na sua justica viravam costas aos pecadores por causa da severidade e soberba religiosas, tiveram recusado Aquele, Que chegou para livrar o homem da infelicidade do pecado. E “levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguйm, o restituo quadruplicado”. E nao era um impeto emocional instantaneo – Sao Clemente Romano testemunha que Zaqueu posteriormente se tornou o companheiro de viagem do Saanto Apostolo Pedro e junto com ele pregava em Roma, onde recebeu o passamento de martir nos tempos de Nerao. Aqueles que o matavam ele falava de Cristo, dando por eles a sua vida propria. Sabia que o Senhor exigia dele o amor a todos os homens ate a plenitude do seu dom benefico, que Ele lhe deu.
icamos admirados, porque as vezes o Senhor na hota da Sua visita, na hora de felicidade ou das prrovas decisivas para todos, excolhe pessoas como que completamente insignificantes, indignas e afastadas Dele, e as pessoas devotas, sem compromisso e bondosas inesperadamente ficam ao lado. Isso e porque o Senhor conhece o coracao humano, e, pelas palavras do Apostolo Paulo, a quem o Senhor conheceu – aquele Ele determinou, e a quem Ele determinou, aqueles foram chamados, e quem foi chamado, aquele foi justificado, e aquele que foi justificado, foi glorificado. O que nos quiz dizer a Igreja com este Evangelho sobre Zaqueu nas vesperas da Quaresma? Antes de tudo e que ninguem e nunca perdido para o Deus, porque todo o homem tem a alma viva, e o Senhor deu a cada homem a possibilidade de contricao, mas a contricao e inutil se as nossas ocupacoes falam do contrario. Porem, o essencial e a profundeza do coracao. Nao se pode enganar ao Senhor. Nao se pode se esconder Dele por nehum jejum, por nenhuns bons trabalhos, nem pela oracao, porque o Senhor ve profundamente e ama ate o fim. Ele quer dar-nos toda a sua felicidade da Cruz e Ressurreicao.
Arcipreste Alexandre Chargunov (5 de fevereiro, 1995)
Homilia sobre o rico e Lasaro

(Lc. XVI, 19-31)
Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.
A nossa vida nos dá diferentes meios de chegar à fé. Há o exemplo das dores e necessidades, quando procuramos a ajuda divina, e há o exemplo da alegria da comunhão com Deus, quando percebemos o vazio dos prazeres terrenos. É sobre essas vias que nos conta a Leitura Evangélica de hoje. Todos conhecemos bem a parábola de Cristo sobre o homem rico e Lázaro.
O rico vivia luxuosamente. Vestia roupas caras: Púrpura e linho fino, vestes usadas por reis, que não era disponível para muitos. O homem rico "brilhava" em suas festas e banquetes todos os dias. Festas orientais, com muita bebida, passando de um dia para outro, de modo a satisfazer até os maiores apetites.
E, ao mesmo tempo, na porta do rico, estava deitado um mendigo chamado Lázaro. Por sua própria existência incomodava os convidados. Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico. Ele sofria há muito todo coberto de chagas. Seus membros já apodreciam, e os cães vinham lamber suas feridas. Sangravam e atraíam os animais famintos. E talvez, por ser deixado à míngua pelas pessoas indiferentes, ele encontrou amigos entre os cães e os animais, que lambendo suas feridas, aliviavam seu sofrimento?
Chegou ao fim o seu tormento, e o Senhor chamou o mendigo Lázaro. Desprezado durante sua vida, seu corpo foi simplesmente jogado em uma cova e enterrado. Já tinha incomodado tanto com o seu desamparo, e agora ainda dava trabalho para ser enterrado. Morreu também o homem rico. Seu funeral foi um concorrido acontecimento. Ilustres convidados chegaram, a cidade inteira veio para acompanhar o cortejo. Diziam em alta voz que todos estavam órfãos, tinham perdido seu benfeitor toda a cidade, as pessoas e toda a humanidade. Em sua lápide o seu nome foi gravado em letras douradas. Mas o evangelho não cita seu nome. Até hoje não sabemos. Mas o nome do pobre Lázaro é citado. Eles viveram um tempo e morreram quase ao mesmo tempo. Mas suas vidas eram diferentes, e depois da morte eles receberam de modo diferente o que mereciam. Os juízos dos homens e os de Deus são diferentes. Por mais que o mendigo fosse desprezado pelas pessoas, o Senhor o recebeu no céu. E por mais que os altos discursos exaltassem o rico falecido, não influenciaram no estado da sua alma.
Assim é o juízo de Deus. Vemos que tudo mudou. Será que Deus não nos alerta sobre isso antes? "Bem-aventurados os que choram - Ele diz - porque serão consolados." "Ai de vós que agora rides, porque havereis de chorar." E todos os mandamentos nos alertam sobre isso. Por que acontece assim? Porque aqui na terra, tudo está virado por causa do pecado, do afastamento do homem em relação a Deus.
Então o homem rico está no inferno. Em grande agonia, ele levanta os olhos e vê Lázaro. Não a seu lado, mas à distância, e vê claramente, como se estivesse ao lado. Infinitamente longe e muito perto. Lázaro está no seio de Abraão, pai de todos os que têm fé. Todos aqueles que viveram pela fé, naturalmente, são reunidos no seio de Abraão, no banquete celeste, onde estão todos os justos desde Abraão, Isaac e Jacó, até todos os Santos justos. E estando em agonia, o homem rico implora - uma palavra completamente atípica para esse homem! - Ele implora a Abraão que mande Lázaro molhar a ponta do dedo na água fria e esfriar a sua língua, ao menos por um momento.
Por que se fala da língua? Porque a língua - é tudo. "Por nossas palavras seremos julgados, e por elas seremos justificados" (Mt 13, 37). O que falava o homem rico? Todas as palavras ímpias, cheias de orgulho que ele pronunciou nas suas festas contra Deus, toda a mentiras, lisonja, todos os insultos aos outros são agora descobertos pelo fogo do inferno. Porque a língua, como diz o apóstolo Tiago, - é como um fogo, um mundo de maldade. Ou seja, a língua pode ser um enfeite da mentira. "Vede como uma fagulha pode rico sensoriais, que fossem postos à sua disposição agora são descobertos pelo tormento da língua, pela ira de Deus, queimando a sua consciência.
E assim aprendemos que Deus não é apenas misericordioso. Ele é misericordioso, mas Ele também é justo. Quando todas as possibilidades foram esgotadas pela misericórdia de Deus, começa a agir a justiça de Deus. Agora, o rico recebe na mesma moeda, que ele usou para os outros. Ele teve pena das migalhas de pão para o homem que estava a seu lado, e agora ele não consegue receber nem uma gota de água. A Misericórdia é a verdade suprema, não pode ser alcançada, se não procurar viver na verdade. "porque o julgamento será sem misericórdia para quem não tiver agido com misericórdia." - diz a palavra de Deus (Tiago 2, 13). E o mistério é revelado em plenitude na vida que há de vir.
Palavra de verdade diz o justo Abraão, que tinha uma extraordinária caridade na terra. Ele diz: "há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, nunca poderia passar daqui para junto de vós, nem os daí poderiam atravessar para junto de nós" Nenhum padre pode ir com a oração, nenhum santo - aonde estão em eternos tormentos os pecadores impenitentes. E nenhum pecador, não importa a sua ousadia e coragem, não pode sair de lá.
Esse abismo revela-nos a força do pecado, que sempre separa as pessoas, tanto aqui como na eternidade. Mas por outro lado, enquanto estamos aqui, não há nenhum abismo. Não há obstáculos para passar daqui - do estado de pecado - para o seio de Abraão, para Deus. Na terra não há nenhuma pessoa que de pecador não pudesse se tornar um santo através do arrependimento. Este abismo é tão profundo, e o Senhor tão graciosamente permite superá-lo, para que, olhando para o abismo intransponível na eternidade, possamos realmente valorizar este dom de Deus na Terra.
Não se diz nada no Evangelho de hoje sobre a oração da Igreja pelos pecadores mortos. Existe alguma esperança para eles na vida futura? Esta esperança é um pequeno vislumbre, nas palavras de Abraão, dirigidas ao pecador cruel. "Lembra-te, filho - ainda o chama de filho - tu recebeste os teus bens durante a vida, enquanto Lázaro recebeu males.
Esse homem rico tem na terra cinco irmãos que vivem como ele. E talvez fosse necessário, enquanto era tempo, avisá-los para que sua vida mudasse, e evitassem o tormento eterno. Com esse movimento de sua alma o homem cruel de alguma forma indica que não perdeu completamente todo o humano, que ainda há nele uma gota de água viva da compaixão pelos outros. E os juízos de Deus estão ocultos para nós. Como será o destino deste homem, não sabemos. Mas devemos saber que os tormentos eternos são terríveis, e a pessoa mais cruel, diante deles, se torna um pouco mais humana, aprendendo a compaixão e a misericórdia.
Prestem atenção, ele sabe que não pode ir aos irmãos - só os santos podem fazer a obra de Deus. E ele pede para enviar Lázaro, cuja misericórdia e bondade na terra ele bem conhecia. Agora ele parece estar contando com a familiaridade com esse homem: se ele não pode aliviar a sua sorte, então talvez ele possa ajudar seus parentes próximos. Desprezou essa familiaridade na terra, agora necessita dela na eternidade.
O que Abraão responde a este pedido? Ele diz que não há necessidade de enviar Lázaro. "Não há necessidade de enviá-lo - diz Abraão - porque eles têm Moisés e os profetas, ouçam-nos." "Não, - diz o homem rico - mas se alguém dentre os mortos for ter com eles - se arrependerão." "Se não ouvem Moisés e os profetas - responde Abraão - mesmo que um dos mortos ressuscite, eles não ficarão convencidos"
"Você viu alguém que tenha vindo do outro mundo, e nos contado sobre o paraíso e o inferno? Que Deus os envie, e nós acreditaremos,"- muitas vezes ouvimos de pessoas incrédulas. O Senhor nos mostra que a coisa mais importante em uma pessoa - sua consciência e a verdade. As pessoas se acostumariam com o milagre do fenômeno e, em seguida, seria necessário um milagre maior. Cada nova dúvida iria procurar um novo sinal: Uma geração má e adúltera pede um sinal, mas nenhum sinal será dado - só o milagre da morte do Salvador na cruz, que se uniu até o fim ao sofrimento e à morte de cada homem (Lc 11, 29).
Mas o Senhor nos ensina os preceitos da fé e do amor, da compaixão de uns para com os outros, que nos trazem de volta a realidade da vida. Ele está ressuscitado, está presente entre nós e ainda permite-nos conhecer o céu infinitamente mais real do que o mundo que passa.
Amem.
Sacerdote Vasily Gelevan 07/11/2010
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Homilia sobre o devedor
(Mateus. 18, 23-35)
Em nome do pai e do filho e do Espírito Santo.
Hoje ouvimos a parábola do devedor impiedoso. A mensagem central da parábola pode se expressar pelas palavras da oração do Pai-Nosso: "perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores". Palavras assustadoras, pois com a mesma medida que medirmos nosso próximo, seremos medidos por Cristo no temível Juízo Final. Se, não perdoamos aqueles que pecaram contra nós, não podemos esperar que o Senhor perdoe os nossos pecados. Assim, devemos evitar a ira, fazer as pazes com os companheiros, se tiverem alguma disputa, perdoá-los e lembrar que Deus não ouve as orações de quem, vindo à Igreja conserva a ira ou animosidade contra o seu próximo.
Para nos ensinar o perdão, nosso Senhor contou esta parábola.
"... quando começou a ajustar as contas, trouxeram-lhe um que..." É uma imagem do Juízo Final, onde cada um vai responder individualmente por si mesmo. Um homem devia uma grande soma ao rei, e não tinha como pagar. O que é isto? Para nós, pode ser o dom da vida e a possibilidade da salvação através do santo batismo. Mas, acima de tudo, nossos próprios pecados, que se tornam uma parede entre nós e Deus e nos fazem "devedores" infinitos perante Deus.
" Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida". Pela justiça, deveria o homem ser colocado na prisão até pagar toda a dívida. Se falarmos do nosso dever moral perante o Criador, todos sem exceção deveríamos ir para o inferno. Mas Deus é misericordioso. E perdoa os nossos pecados, dando-nos o exemplo a imitar.
" Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou, dizendo: Paga o que me deves". Por nosso estado pecaminoso devemos ao Senhor muitas vezes mais do que uns aos outros. Mas, como é difícil perdoar e dar o que é seu. Podemos até mesmo esquecer o grande perdão recebido de Deus. "O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei! Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida".
" E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida. Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração."
Naturalmente, o rei foi justo quando castigou aquele que, tendo obtido misericórdia e perdão, não teve misericórdia e não perdoou. Lembremos que não importa o quanto o nosso próximo nos tenha ofendido, não é tão pecador em relação a nós, como nós somos todos pecadores perante o Senhor Deus. Ficamos infelizes quando alguém nos ofende, especialmente se nos prejudica uma pessoa a quem fizemos bem ou prestamos algum serviço. Lembremos quantos bens recebemos de Deus. Ele criou para o homem a terra e tudo o que se encontra nela; Ele nos deu a vida com todos os dons, por mais que pequemos, mas o Senhor Jesus Cristo, que nos amou, veio à terra para nos ensinar a vontade do Senhor e finalmente aceitou o sofrimento e a morte para nos livrar da condenação eterna e conceder aos que crêem Nele a felicidade eterna. E, apesar de todos estes dons, ofendemos constantemente o Senhor Deus com os nossos pecados. Vamos orar a Ele para que nos corrija e vamos perdoar a quem nos ofendeu para podermos. com mais confiança, pedir o perdão de Deus. Jesus Cristo disse que teremos o mesmo tratamento que dermos aos outros. "Perdoai e sereis perdoados, disse Ele, dai e vos será dado".
Amém.
sacerdote Basílio Gelevan
3 de outubro de 2010
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Homilia Todos os Santos Russos
A Festa de Todos os Santos que brilharam na Rússia foi instituída no Conselho Local Rússo em 1918. Na Rússia já estava em curso a revolução, e era necessário reunir todas as forças espirituais para suportar todas as provações futuras.
Logo aparece o primeiro texto para a celebração desta festa. O autor - o bispo, depois santo confessor Afanasii (Sakharov) redigiu a liturgia ao longo de toda a sua vida. No cânon da festa o bispo Afanasii faz uma breve descrição da localização geográfica dos santos russos. São os santos ortodoxos mais antigos e os novos mártires. Os santos do Sul da Rússia são os sete santos mártires de Kherson. As terras longínquas dos Montes Cárpatos educou os veneráveis Alexis Karpatorusskii e Job Ugolskii. Na Iveria as santas Nina e Tamara. No norte do nosso país santos famosos, veneráveis Zosima e Savvatii de Solovki, German e Sergio de Valaam, taumaturgos. De lá também os veneráveis padres de Novgorod e Vologda Cirilo de Beloezersk, Nil Sorskii, Ferapont Mozhaiskii e muitos outros.
Ryazan orgulha-se do seu ilustre Santo bispo Basílio e do mártir Roman. Pereslavl tem suas luzes nos veneráveis Daniel e Nikita. Moscou tem os seus patronos e intercessores na pessoa dos primeiros santos - São Pedro, Alexis, Jonah, Felipe, Ermogen e o fiel príncipe Dmitri Donskoi. Bryansk tem o seu intercessor no santo fiel príncipe Oleg. Sidades russos Yaroslavl, Smolensk, Vologda, Kazan, Astrakhan, Murom, Rostov, Vladimir - todas têm seus intercessores diante do Altar de Deus. Mesmo a distante Sibéria, brilha com os seus santos, por exemplo, Inocenti e Sofronii de Irkutsk, Simeon Verkhotursk, Ioann Tobolskii e o santo martir Silvestr.
A fé ortodoxa educou grandes santos russos, como Santo Sergio de Radonej, Santo Serafim de Sarov, Santo Ioasaf de Belgorod e Tikhon de Voronej. Os nomes destes santos de Deus, são caros não só para os ortodoxos russos, mas com amor são venerados muito além das fronteiras do nosso país. Assim, a Rússia é rica em intercessores, santos famosos, que são mais de quatrocentos. E quantos devotos que agradaram a Deus, cujos nomes são desconhecidos para nós! E o número de santos aumentou especialmente nos últimos tempos, quando pela fé em Cristo, pela confissão da palavra de Deus os filhos fiéis da Igreja Ortodoxa com a sua resistência e coragem, venceram o diabo e mereceram a coroa celeste e a vida eterna feliz.
No ano 2000 – em um ano – foram declarados mais santos do que nos 1000 anos de cristianismo na Rússia. Até aquele momento, entre os santos russos havia mais veneráveis. Agora, a maioria é de mártires. O santo Imperador Nicolau Alexandrovich com os membros da família real. Houve governantes santos da Rússia, os fiéis príncipes, começando com Santo Vladimir Batisador - e este é agora o rosto santo coroado do tzar Nikolai, dos mártires reais Alexandra, Olga, Tatiana, Maria, Anastasia e Alexii.
Meus amigos, em oração a todos os santos da Rússia, cuja vida terrena teve final tão maravilhoso, vamos pedir a eles que orem a Deus também por nós. Que tudo o que é vivo se alegre com a nossa alegria e nossa festa de hoje. Pedimos a bênção de Deus, e as orações de todos os santos da Rússia – para que pelas suas orações a fé Ortodoxa não perca toda a sua pureza, para que não esqueçamos nós, os mandamentos e as promessas de Deus.
Amém.
06 de Junho 2010
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Homilia para a terceira semana da Páscoa
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(a Samaritana)
João 4, 5-42
Caros irmãos e irmãs! Hoje somos testemunhas da conversa de Cristo com a samaritana. O Evangelho não nos diz o seu nome, mas sabemos pela tradição que se chamava Fotinia, isto é, Svetlana. Seu nome – sua vida! Depois do encontro com Cristo ela pregava o Evangelho e de fato para muitos a sua pregação iluminava a Verdade de Cristo.
Por que os evangelistas não revelam o seu nome? Para destacar a sua origem e assim melhor expor o conteúdo da conversa. Para realçar o contraste entre aqueles povos, aos quais pertenciam os protagonistas. Os judeus eram o povo eleito de Deus . Os samaritanos no início também pertenciam ao povo eleito, mas devido à sua total degradação no paganismo foram considerados traidores da fé dos pais.
O encontro do Senhor pela mulher da Samaria deu-se junto ao poço de água. A tradição nos diz que esse poço foi cavado pelo próprio Abraão. O calor do meio-dia era o momento oportuno de saciar a sede com a água fresca. Jesus manda os discípulos à cidade buscar alimento , enquanto Ele mesmo senta-se junto ao poço. Vem a mulher samaritana buscar água. Jesus dirige-se a ela e pede: “dá-Me de beber!”. Pelo modo de falar ela logo reconhece que Ele é judeu. A samaritana admira-se, porque sendo judeu Ele pede água a ela, uma samaritana, tendo em vista o ódio e o desprezo que os judeus alimentavam em relação aos samaritanos. “Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana?”
Ela é totalmente aberta e sincera nessa conversa. Para dissipar as dúvidas, Cristo lhe diz: “Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva.” Ela entendo a água viva como a água mais profunda do poço, mais fria. Levando em conta que a mulher não faz a menor ideia de Quem fala com ela, é de se entender a sua admiração, ao dizer: “Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo... donde tens, pois, essa água viva?” Quando Jesus lhe fala da Bebida Celestial, da Santa Comunhão, ela não compreende essas palavras, duvida e assim se exprime. É um exemplo de quando a pessoa se fecha nos seus raciocínios terrenos.
Para elevar o seu pensamento ao Céu, o Senhor lhe diz: “Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna.” A bebida espiritual , a graça do Espírito Santo tem efeito eterno na alma do homem. Quem prova uma vez que seja e conhece a beleza divina, jamais experimenta a falta da graça. Já quem bebe a água material, ou satisfaz quaisquer de suas necessidades terrenas, sacia a sua sede apenas por um tempo e logo “tornará a ter sede”.
Ainda sem entender o Senhor, e pensando que Ele fala da água comum, só que especial de algum modo, que savia para sempre a sede, ela pede ao Senhor que lhe dê desta água, para se livrar da necessidade de budcsr ´sgua no poço. Para que ela finalmente entendesse que ela não falava com um homem comum, o Senhor primeiro lhe diz para chamar o seu marido e, em seguida revela diretamente a ela que, tendo tido cinco maridos, agora estava vivendo em relações adúlteras.
Essas palavras convencem a mulher de que Quem fala com ela não é um simples homem e sim um profeta, que conhece os segredos da pessoa humana. A primeira coisa que faz é a pergunta mais importante. Onde está a verdade? Onde é o lugar santo e onde adorar o Pai Celeste?
“Mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém.” - Diz Jesus. – “Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja.” A pura e sincera oração, a reverência ao sagrado, a consciência do pecado e da necessidade do auxílio de Deus - este é o templo de Deus e esta é a verdadeira adoração. As paredes brancas e as colunas retas de maravilhosas construções arquitetônicas ainda não são igreja. Porque a igreja é construída por cada um de nós, a partir de si mesmo. “A igreja não está no material, mas no humano”. Coloquemo-nos diante de Deus, no templo, com temor filial, com fé e seremos igreja.
Amém!
pe. Basílio Gelevan. 02 de maio de 2010
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Homilia no Domingo da adoração da Santa Cruz
O significado da Cruz de Cristo para aqueles que praticam a abstinência está explicado pela Igreja nos cânticos da liturgia e em diversos exemplos e casos. Como uma árvore que dá sombra copiosa e que fornece frescor e repouso ao viajante cansado, a Cruz de Cristo, dentre os feitos da Quaresma dá ao fiel, àquele que acredita, frescor e estímulo para a realização do trabalho. A Cruz de Cristo, como a bandeira da vitória sobre a morte, nos prepara para a alegre celebração do Vencedor do inferno e da morte. A Cruz de Cristo pode ser comparada à madeira que adoçou as águas amargas de «Merra» , com a árvore da vida, plantada no meio do paraíso. A boa nova sobre a Cruz e a adoração dele nos consolam ao nos lembrar a aproximação da festa da Ressurreição de Cristo.
Além da glorificação da Santa Cruz, na qual o Senhor se sacrificou até a morte, na liturgia da quarta semana da Quaresma é denunciado orgulho fariseu, condenado por Deus, e é louvada a humildade do publicano.
Não é por acaso que no meio da Quaresma (três semanas já se passaram e a semana da Genuflexão – semana central da Quaresma, após há ainda três semanas até a Páscoa) a Igreja coloca a Cruz do Senhor no centro daquela décima parte do ano que nós oferecemos, se não no todo, pelo menos nos esforçamos em dedicar a orações e abstinência – em memória pelo Senhor.
A leitura evangelica de hoje está situada entre dois episódios, especialmente importantes. O episódio anterior –relato breve de São Marcos em que Jesus pergunta aos discípulos :Por quem as pessoas me tomam ? São Pedro rersponde por todos : Você é Cristo, filho de Deus vivo. E a partir desse momento, como testemunham três evangelistas (São João não relata esse episódio), Jesus passou a dizer abertamente que o Filho do Homem deve sofrer muito... ser traído nas mãos de humanos, ser morto e ressuscitar no terceiro dia.
São Pedro, no melhor dos impulsos, diz : Senhor, isso não vai acontecer com você! E de repente, instantaneamente, após sua confissão, após a elevada revelação que lhe foi feita, Senhor diz a Peddro palavras mito duras : Afaste-se de mim, Satanás, você é uma tentação para mim. E logo após essas palavras : quem quiser ir comigo, renegue a si próprio...
Portanto, nós sempre devemos lembrar que, seguindo o Senhor, devemos ouvir a Ele. Não a nossa própria opinião, mesmo que ditada por quaisquer impulsos, mesmo os melhores, como no caso de Pedro : Isso não vai acontecer com você ! Jesus lhe diz : você pensa não sobre o que é Divino, mas sobre o que é humano.
07.03.2010 Pe. Basílio Gelevan
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Homilia no Domingo do Carnaval.
Em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo.
Hoje nos estamos em limiar da Quaresma. Neste dia, lembramos o mais importante evento na historia da humanidade - o Juizo Final de Cristo, que vira no fim do mundo. O jejum nao e uma meta, e um meio de preparacao pessoal digna para a comemoracao da Pascoa do Senhor. Nesses dias oramos com as palavras de Santo Efrem o Sirio, pedindo forca para evitar o espirito festivo, o desanimo, a luxuria e o ocio, pedindo que nos venha o espirito de pureza, humildade, paciencia e amor. Nossas genuflexoes ao acompanhar a leitura desta oracao pacificam nossa carne. Nossa abstinencia de carne disciplina nossos desejos. Este domingo chama-se tambem - "myasopustnoe" (sem carne). A palavra "myasopustnoe" significa "vazio de carne", sem carne, como "carne vale" - que se traduz em portugues como "adeus a carne". O sentido disto e que, a partir deste dia nos nos abstemos de carne. E jejuando, estamos cientes de que oferecemos o sacrificio da nossa abstinencia a Deus, que deu vida a todos os viventes. O homem foi chamado a trazer toda a criacao para a salvacao, mas pela queda do pecado de Adao o homem desviou-se do plano original do universo e comecou a temer o mundo animal. Ao nos abstermos, tambem reconhecemos o nosso proprio pecado original e nossa fraqueza. Reconhecendo a impotencia de nossa natureza, abrimo-nos para a humildade e para a fe, porque somente os humildes possuem a fe.
E evidente que em tempos recentes, algumas coisas no mundo viraram de cabeca para baixo. E no dia em que nas igrejas se le a palavra sobre o Juizo Final de Deus, quando pedimos a bencao de Deus para a Quaresma, para a abstinencia na alimentacao e no entretenimento, as pessoas dancam nos sambodromos e cometem desatinos, na promiscuidade e nas paradas-gays. Nestes dias nao ha limite para a blasfemia, como nao ha limite para a gula, o orgulho e a nostalgia. De modo que o carnaval nao e simples folclore ou entretenimento. E realmente uma anti-religiao. Esta cidade precisa de muita oracao. Todos os cristaos decentes cariocas deixam a cidade-maravilhosa nesses dias. E voltam quando todos os tambores silenciam e a chuva lava das ruas da cidade as marcas da festa popular. No Primeiro Domingo da Quaresma, Semana do Triunfo da Ortodoxia a Liturgia Divina e concelebrada por todos os sacerdotes ortodoxos canonicos da cidade, em uma so igreja em um so altar. E esta oracao que mantem o mundo, por sua causa e que existe este mundo. E nao condenamos ninguem hoje. A oracao pedindo perdao dos nossos proprios pecados e a confissao, e nao a condenacao do proximo - e o que devemos procurar sempre, especialmente nos dias da Quaresma.
Padre Basilio Gelevan.
07 de fevereiro de 2010
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Homilia sobre o homem rico imprudente
Alguém da multidão disse a Jesus: "Mestre, dize a meu irmão que divida a herança comigo". Respondeu Jesus: "Homem, quem me designou juiz ou árbitro entre vós?"
O Senhor ajuda muito e com frequência as pessoas. Porém hoje Ele nem mesmo dá conselho ao homem que coloca os bens materiais acima de tudo em sua vida. O desejo de possuir a sua parte da herança tinha naquele momento a maior importância para aquele homem. Dirigindo-se aos discípulos, Cristo diz:
"Cuidado! Ficai de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens". E contou a parábola da vida e da morte do rico insensato. Nós mesmos devemos raciocinar hoje se esse homem era abençoado por Deus.
Há cristãos de hoje que repetem uma frase: “Deus é fiel”, que é colada em espelhos e para-brisas de automóveis. Na interpretação protestante essa frase expressa a idéia de que o sucesso na vida significa o favorecimento de Deus para o homem. Porém, vamos pensar, se isto é mesmo assim. Deus favoreceu o rico insensato? A resposta é: evidentemente que não. Por isto nunca se pode medir o favor de Deus em equivalência financeira. A parábola de hoje nos fala sobre Mamon, sobre a comercialização do mundo de hoje
Mas os cristãos têm outra frase, muito antiga, cheia de uma profunda fé na Divina Providência. Dizem: “Se Deus quiser”. Estas palavras são a expressão da longa experiência de vida cristã – tudo o que Deus nos manda: alegrias ou sofrimentos, leva para o bem. O exemplo está aí: como deveria se comportar esse agricultor bem sucedido. Era o tempo propício para expressar sua gratidão ao Criador. Porque tudo no mundo vem de Deus. É preciso alegrar-se, pois surgiram grandes possibilidades para se fazer o bem ao próximo (творения милостыни), para ajudar aos famintos e aos pobres. Em vez de tudo isto ter somente o desejo de guardar tudo para si e dizer para sua alma: ”come, bebe e alegra-te, tens grande quantidade de bens armazenados para muitos anos”?
A acumulação de riquezas é uma das paixões humanas. O desejo de acumular bens teve início após o pecado e a queda do homem. Assim é agora a nossa natureza. Ela não pode se satisfazer com o que tem, sempre achará que é muito ou pouco demais. A felicidade do cristão não depende dos bens materiais. Pode-se viver com alegria e leveza, satisfazendo-se com pouco. A Sagrada Escritura diz: «Mais vale um prato de legume com amizade que um boi cevado com ódio.» (Livro dos Provérbios, 15,17). O rico insensato estava tão cego e louco,que disse à sua alma: “come, bebe e alegra-te”. Como se a alma humana precisasse disto. A alma está acima da comida e da bebida. Se fosse a alma de um animal, possivelmente ficaria satisfeita com esse alimento. Mas o alimento da alma humana é a Eucaristia, a Palavra de Deus, a Oração, a Justiça, o Amor, a Pureza, Deus.
O alimento para a nossa alma é quando Cristo convida: “TOMAI E COMEI, ISTO É O MEU CORPO” e quando Ele diz: “TOMAI E BEBEI TODOS VÓS, ISTO É O MEU SANGUE”. Aí é que nossa alma pode comer e beber para muitos anos, para os séculos sem fim.
Amém.
06/12/2009
